Por pouco mais de seis minutos, o dia poderá parecer noite em uma faixa do planeta em 2 de agosto de 2027. Nesse dia, a Lua passará exatamente entre a Terra e o Sol e produzirá um eclipse solar total cuja fase máxima chegará a aproximadamente 6 minutos e 23 segundos em uma região do Egito.
Será uma duração excepcional. Para efeito de comparação, o eclipse que cruzou México, Estados Unidos e Canadá em abril de 2024 alcançou cerca de 4 minutos e 28 segundos de totalidade em seu ponto máximo.
O fenômeno de 2027 também terá uma característica que deve atrair observadores de várias partes do mundo: a faixa de totalidade atravessará áreas da Europa, do norte da África e do Oriente Médio, incluindo locais relativamente acessíveis.
Mas há um detalhe importante. Embora algumas publicações estejam chamando o evento de “eclipse mais longo do século”, os registros astronômicos mostram que essa descrição não é tecnicamente correta.
Eclipse de 2027 será realmente o mais longo do século?
Não.
Os cálculos mantidos pelo Goddard Space Flight Center, da NASA, mostram que o eclipse solar total de 22 de julho de 2009 teve duração máxima de cerca de 6 minutos e 39,5 segundos. Portanto, ele continuará sendo mais longo que o evento previsto para 2027.
Isso não diminui a importância do próximo fenômeno.
Para o eclipse de 2 de agosto de 2027, a NASA calcula uma duração máxima de aproximadamente 6 minutos e 23,2 segundos. Depois dele, nenhum eclipse total deverá ultrapassar essa duração até 3 de junho de 2114, quando está previsto um evento de cerca de 6 minutos e 32 segundos.
Na prática, isso significa que o eclipse de 2027 será o mais longo desde 2009 e o mais longo que ocorrerá durante as próximas décadas.
Essa combinação ajuda a explicar por que astrônomos, fotógrafos e turistas já acompanham o evento com tanta antecedência.
Quando acontecerá o eclipse solar de 2027?
A data está marcada pela mecânica celeste: segunda-feira, 2 de agosto de 2027.
Considerando o fenômeno globalmente, as primeiras regiões começarão a observar o eclipse parcial por volta das 7h30 UTC, enquanto a fase total começará aproximadamente às 8h23 UTC. O máximo ocorrerá perto das 10h07 UTC.
No horário de Brasília, o ponto máximo corresponde a aproximadamente 7h07 da manhã.
É importante não confundir esses horários com o que será visto em uma cidade específica. Um eclipse atravessa o planeta, e cada local possui horários próprios para início, máximo e fim do fenômeno.
A totalidade de mais de seis minutos ocorrerá apenas próximo à linha central da sombra da Lua.
Egito terá alguns dos melhores pontos para observar o fenômeno
O norte da África será uma das regiões mais privilegiadas.
Os cálculos da NASA colocam o ponto de maior duração próximo das coordenadas 26,8° norte e 31,1° leste, no Egito. Ali, a totalidade poderá atingir aproximadamente 6 minutos e 23 segundos.
O chamado “greatest eclipse”, outro ponto de referência usado nos cálculos astronômicos, ocorrerá também no Egito, próximo de 25,5° norte e 33,2° leste. Nesse local, o Sol estará a quase 82 graus acima do horizonte e a faixa de totalidade terá cerca de 258 quilômetros de largura.
A região de Luxor aparece entre os destinos mais mencionados porque estará muito próxima da faixa central e deverá experimentar mais de seis minutos de totalidade.
Isso significa que, durante alguns minutos, a Lua bloqueará completamente a parte brilhante do Sol.
Por onde passará a sombra da Lua?
A totalidade não poderá ser observada de qualquer lugar.
A sombra central da Lua percorrerá uma faixa relativamente estreita sobre a superfície terrestre. Segundo o catálogo da NASA, ela atravessará áreas de Espanha, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália.
Fora dessa faixa, uma região muito maior poderá observar o eclipse parcialmente.
Partes da Europa, África, Oriente Médio e Ásia terão diferentes porcentagens do disco solar encobertas pela Lua.
Quanto mais distante o observador estiver da trajetória central, menor será a cobertura do Sol.
Por que esse eclipse vai durar tanto?
A resposta está na combinação de vários movimentos que acontecem simultaneamente no Sistema Solar.
A órbita da Lua ao redor da Terra não é um círculo perfeito. Em determinados momentos, nosso satélite natural fica mais próximo do planeta, situação conhecida como perigeu.
Poucas horas antes do eclipse de 2027, a Lua estará justamente próxima desse ponto. Isso fará com que ela pareça ligeiramente maior no céu.
Quando a Lua parece maior, sua sombra também pode produzir uma faixa de totalidade mais ampla e prolongada.
Além disso, a geometria do alinhamento será extremamente favorável. A sombra passará relativamente perto da região central da Terra, fazendo com que se desloque pela superfície de maneira propícia a uma longa duração.
É a soma dessas condições — e não apenas um único fator — que permitirá uma totalidade superior a seis minutos.
O que acontece quando o Sol desaparece por completo?
Os minutos de totalidade são completamente diferentes das fases parciais de um eclipse.
À medida que a Lua cobre o Sol, a luminosidade do ambiente diminui progressivamente. Quando o último trecho do disco solar desaparece, ocorre uma queda muito mais perceptível na claridade.
O céu pode adquirir aparência semelhante à do crepúsculo.
É também nesse momento que aparece uma das imagens mais marcantes de um eclipse total: a coroa solar.
Essa atmosfera externa extremamente quente do Sol normalmente fica escondida pelo brilho intenso de sua superfície. Durante a totalidade, porém, ela surge ao redor do disco negro da Lua como uma estrutura esbranquiçada que se estende pelo céu.
Planetas e algumas estrelas brilhantes também podem se tornar visíveis.
Poucos minutos depois, o processo se inverte. Assim que a primeira parte da superfície brilhante do Sol reaparece, o ambiente volta rapidamente a ganhar luminosidade.
O eclipse de 2027 poderá ser visto do Brasil?
O Brasil ficará muito distante da faixa de totalidade.
Portanto, não haverá eclipse solar total no país em 2 de agosto de 2027.
Há, porém, uma particularidade. Os cálculos disponibilizados pelo Timeanddate indicam que uma pequena região do extremo Nordeste brasileiro poderá registrar uma fase parcial muito discreta perto do nascer do Sol.
A simulação aponta um intervalo aproximado entre 5h12 e 5h38, no horário de Brasília, nas proximidades da costa do Rio Grande do Norte. A maior parte do território brasileiro não terá visibilidade do fenômeno.
Isso é diferente de estar dentro da faixa de totalidade: no Brasil, mesmo onde houver possibilidade de observação parcial, o Sol não será completamente encoberto.
O que torna um eclipse solar total tão raro?
Eclipses solares acontecem regularmente em algum ponto da Terra, mas observar um eclipse total em uma localização específica é muito mais raro.
A Lua é aproximadamente 400 vezes menor que o Sol, mas também está cerca de 400 vezes mais próxima da Terra. Por uma coincidência de escala e distância, os dois objetos podem apresentar tamanhos aparentes semelhantes quando vistos daqui.
Para acontecer um eclipse solar, é necessária uma Lua nova alinhada com a Terra e o Sol.
Mesmo assim, não há eclipse todos os meses.
A órbita lunar possui uma inclinação de aproximadamente cinco graus em relação ao plano orbital da Terra. Na maioria das luas novas, portanto, a sombra passa acima ou abaixo do nosso planeta.
Somente quando esses planos se encontram na posição adequada ocorre um eclipse.
Uma mesma série de eclipses pode durar séculos
O eclipse de agosto de 2027 também faz parte de uma sequência conhecida como Saros 136.
Um Saros reúne eclipses que acontecem aproximadamente a cada 18 anos, 11 dias e algumas horas e apresentam características geométricas semelhantes.
O evento de 2027 será o 38º de 71 eclipses pertencentes à série Saros 136.
Existe ainda uma curiosidade histórica.
O eclipse de julho de 2009 — justamente aquele que superará o de 2027 em duração — também pertence ao Saros 136.
Com o passar dos ciclos, a trajetória da sombra muda gradualmente sobre a Terra.
Óculos de sol comuns não protegem os olhos
A longa duração da totalidade não muda uma das principais regras para quem pretende observar o fenômeno: olhar diretamente para o Sol durante as fases parciais pode provocar lesões graves nos olhos.
Óculos escuros comuns não são suficientes.
A NASA recomenda filtros apropriados para observação solar, que devem atender à norma internacional ISO 12312-2.
Câmeras, binóculos e telescópios exigem ainda mais cuidado. O filtro adequado precisa ser colocado na parte frontal do equipamento óptico. Não basta olhar através deles usando óculos para eclipse.
A concentração da luz solar por essas lentes pode causar danos praticamente instantâneos.
Quando os óculos podem ser retirados?
Existe apenas uma exceção.
Para quem estiver dentro da faixa de totalidade, a proteção pode ser retirada durante o curto período em que a Lua estiver cobrindo completamente a parte brilhante do Sol.
Assim que qualquer pequeno trecho do Sol voltar a aparecer, os óculos devem ser recolocados imediatamente.
Quem estiver observando apenas um eclipse parcial não deve remover a proteção em nenhum momento.
O próximo eclipse mais longo só virá em 2114
Depois de 2027, será necessário esperar muitas décadas para que outro eclipse total ultrapasse seis minutos e 23 segundos.
Os cálculos da NASA apontam que em 3 de junho de 2114 haverá uma totalidade de aproximadamente 6 minutos e 32 segundos.
Eventos ainda mais longos aparecerão nos séculos seguintes.
Um dos casos extremos ocorrerá em 16 de julho de 2186, quando os modelos astronômicos apontam para uma totalidade próxima de 7 minutos e 29 segundos — muito perto do limite máximo possível para esse tipo de fenômeno.
Por isso, o eclipse de 2027 ocupa um lugar especial: para praticamente toda a população atual, será uma oportunidade excepcional de acompanhar um eclipse com mais de seis minutos de totalidade.
E quem quiser testemunhar toda essa duração terá de estar no lugar certo.
Perguntas frequentes
Quando será o eclipse solar de 2027?
O eclipse solar total ocorrerá em 2 de agosto de 2027. O máximo global acontecerá por volta das 10h07 UTC, aproximadamente 7h07 no horário de Brasília.
Quanto tempo vai durar o eclipse de 2027?
No ponto de maior duração, no Egito, a fase de totalidade deverá chegar a aproximadamente 6 minutos e 23 segundos. A duração será menor em outros locais.
O eclipse de 2027 será o mais longo do século?
Não. O eclipse total de julho de 2009 durou aproximadamente 6 minutos e 39,5 segundos. O de 2027 será o mais longo desde 2009, e nenhum eclipse mais longo ocorrerá até 2114.
Onde o eclipse será total?
Segundo a NASA, a faixa de totalidade passará por regiões de Espanha, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália.
O eclipse de 2027 será visível no Brasil?
A totalidade não será visível do Brasil. Cálculos do Timeanddate indicam que uma pequena região no extremo Nordeste poderá observar uma fase parcial discreta próximo ao nascer do Sol.
É possível olhar diretamente para um eclipse solar?
Somente durante a fase de totalidade completa e apenas para quem estiver dentro da faixa de eclipse total. Durante todas as fases parciais é necessário utilizar proteção solar adequada.
Óculos escuros servem para observar o eclipse?
Não. A NASA alerta que óculos de sol convencionais, independentemente de serem muito escuros, não oferecem proteção adequada. Devem ser usados visualizadores solares apropriados que atendam à ISO 12312-2.




